Por Erick Tedesco
Chamar a Europa de Velho Continente é de fato uma designação repleta de sentidos, porque, além de ser um pedaço do globo que possui séculos de história e resquícios de civilizações e acontecimentos cuja importância reflete até os dias atuais, é também um continente que transmite ancestralidade através de ruas, museus, achados arqueológicos, ruínas e paisagens naturais.
Na península ibérica, a Espanha é um país em que sentimentos atemporais são capazes de proporcionar ao viajante uma aula de história e, ao mesmo tempo, de turismo. Emoções afloradas vibram ainda mais na Catalunha, que constantemente briga pela independência.
Ao nordeste da península Ibérica está a região, considerada comunidade autônoma do país, muito influenciada pela civilização romana. Ali está Girona, a 60 quilômetros da França e a menos de uma hora de automóvel de Barcelona.
A identidade cultural única da Catalunha, uma das principais justificativas para reivindicação da independência política da Espanha, é um convite para o turismo em Girona e região.

O primeiro povoamento na Catalunha data à época pré-histórica do Paleolítico Médio (há mais de 300 mil anos), comprovado no achado da mandíbula de um homem pré-neandertal, na área de Banyoles. A peça está exposta no Museu de História Natural de Banyoles, na província de Girona.
O achado está ligado à lenda do “negro de Banyoles”, quando em 1830 um naturalista francês desenterrou um corpo de um indígena recém-cremado. Apropriaram-se do corpo e o dissecaram. Anos depois, descobriram que o homem pertence a Botsuana, na África. Existe até hoje um impasse político entre Espanha e Botsuana para que o corpo retorne ao lugar de origem.
Muralha
Girona é uma aula de história a céu aberto. Localizada em região estratégica dentro do Império Romano, a cidade era constantemente alvo de invasões e destruições.
Para reforçar a segurança, foi construída ao redor uma muralha. Com mais de cinco quilômetros de comprimento, a arquitetura foi restaurada na contemporaneidade e se tornou um dos principais atrativos turístico. As pessoas podem percorrê-la de ponta a ponta e ter uma bela visão da cidade do alto.

O pedaço remanescente da muralha romana está localizado no Bairro Velho de Girona, dividido do Bairro Novo pelo rio Onyar.
Foram construídas várias pontes que possibilitam o acesso de um bairro para o outro, cuja panorâmica é o mais tradicional cartão postal da cidade. Em ambas as margens do rio existem prédios antigos e coloridos, cenário que inspirou muitos artistas da Catalunha e cuja história é contada no Museu d´Història de la Ciutat (Museu de História da Cidade).
O Bairro Velho é essencialmente constituído por arquiteturas antigas. Enormes catedrais, como a Catedral Central (uma edificação de diferentes estilos, erguida entre os séculos XI e XVII) e a Igreja de São Félix (estilo gótico, dos séculos XIII e XV), que são dois monumentos visíveis de qualquer ponto de Girona, de tão grandes e imponentes.
No interior da catedral e da igreja existem museus com peças sacras e enormes altares, além da própria estrutura. São pontos que recebem visitas de turistas durante todo o dia, inclusive no período noturno, pois possuem iluminação especial para realçá-las.
Ainda no Bairro Velho, o centro histórico localiza-se em um antigo reduto de judeus. O El Call, conhecido como o principal quarteirão judeu, é um labirinto de ruas de pedra e guetos. Toda a história e importância da comunidade judaica que habitou Girona até 1942 está no Museu d´Història dels Jeus (Museu de História dos Judeus), que fica na Rua La Força.
Porém, Girona não é apenas história. Ao atravessar uma das pontes sob o rio Onyar chega-se ao Bairro Novo, e eis uma cidade contemporânea e altamente desenvolvida, com grandes estabelecimentos comerciais, prédios, empresas de renome mundial, mais museus e lugares de lazer requintados.
Essencialmente turística, Girona tem população com cerca de 75 mil habitantes em uma superfície de 38,38 km². A cidade ainda dispõe de aeroporto e estação ferroviária.
A parada final é a estátua da Leoa, datada do século XII. Segundo uma lenda, toda pessoa que visita a cidade deve beijar o traseiro do animal empedrado para, um dia, retornar.
O monumento está no Bairro Velho, próximo do centro comercial, mas nada inibe os turistas, que sobem uma escadinha devidamente pensada para o ato do beijo. E os moradores de Girona fazem questão de acompanhar o turista para o tradicional “beso en el cul de la Lleona”.
Empúrias
Localizada na Costa Brava, o litoral mediterrâneo na Catalunha, Empúrias foi fundada em 575 antes de Cristo pelos gregos da região de Phocaea. O nome Empúrias deriva de Empório, que significa mercado. Mais tarde, a cidade foi ocupada pelo Império Romano e posteriormente deixada em ruínas durante a Idade Média.
Empúrias, no entanto, é um importante centro turístico da Catalunha, devido a um sítio arqueológico descoberto em 1908.
Transformado em local turístico, possui ruínas de cidades nos moldes gregos e romanos, museu com artefatos da época e vista para o Mediterrâneo. A pé, o visitante pode ir às ruínas e sentir o ar histórico na pele ao caminhar entre os resquícios do passado que estão lá, tão evidentes e devidamente restaurados.

