Sábado, 24 de outubro, é dia de death metal e de Malevolent Creation, e não por acaso. O estilo nasceu justamente para encarar de frente aquilo que a gente prefere não ver: a podridão, a decomposição, a hipocrisia dos poderosos. Na véspera do Brasil de decidir se entrega o país a Flávio Bolsonaro (leia-se ao bolsonarismo) ou mantém a democracia em sã consciência com o Governo Lula, o único som à altura de um eventual estrago, e também contra essa possibilidade, é o mais pesado, o mais sujo e mais direto e reto do metal.

O Malevolent Creation toca sábado (24/10) no Hangar 110, em São Paulo (ingressos aqui), ao lado da banda alemã Mystic Circle, fechando a turnê de 35 anos de “The Ten Commandments”, disco que virou marco do death metal da Flórida. A noite é para curtir, ninguém vai ao Hangar para fazer comício. Mas o death metal sempre foi a música de quem encara a violência e a morte de frente, sem desviar o olhar, e é difícil pensar em véspera que peça mais essa catarse do que a de uma eleição em que disputa o Planalto o filho de um ex-presidente condenado por tramar um golpe de Estado, escolhido a dedo pelo pai para manter a dinastia de pé e retomar o mesmo projeto que tentou rasgar o resultado de 2022.
Flávio não é a versão moderada de coisa nenhuma. É o senador da rachadinha, o chefe de Fabrício Queiroz, o parlamentar que condecorou com a Medalha Tiradentes o miliciano Adriano da Nóbrega e empregou a mãe e a ex-mulher dele no próprio gabinete. Escapou do processo das rachadinhas porque o caso caiu no STJ por questão processual, sem que a Justiça chegasse a julgar o mérito. Comprou mansão de quase R$ 6 milhões em Brasília e na mira da Polícia Federal, ligado a Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master.
Fugiu de debate, promete SUS “padrão Einstein” sem dizer de onde sai um centavo, choraminga que “tá todo mundo contra mim” e já avisa que vai para cima do STF, o mesmo tribunal que condenou, com precisão e justiça, o traste do seu pai.
O PL tenta vender Flávio como o Bolsonaro que sabe sorrir. Só mudou a embalagem. Por trás dela está a mesma máquina que atacou as urnas, bateu na porta de quartel, exaltou torturador e chamou de patriota quem destruiu a Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro. Isso tem nome, e o nome é fascismo.
O death metal passou quarenta anos cuspindo na cara de gente assim. No sábado, assista ao show de uma lenda viva do gênero, com raiva e sangue nos olhos para, no domingo, votar contra fascistóides de terno que querem entregar o Brasil aos Estados Unidos e busca um revanchismo sem precedentes para o povo.
Enterre o bolsonarismo no voto.
SERVIÇO
Malevolent Creation e Mystic Circle em São Paulo
Data: 24 de outubro de 2026
Local: Hangar 110
Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro, São Paulo/SP
Ingressos: fastix.com.br/events/malevolent-creation-eua-e-mystic-circle-alemanha-em-sao-paulo
The Ten Commandments, 35 anos
The Ten Commandments (ouça aqui) marcou a estreia do Malevolent Creation e saiu em um momento decisivo para o death metal norte-americano. O álbum foi registrado com produção, engenharia e mixagem de Scott Burns, nome diretamente associado ao som extremo gravado na Flórida no período, e teve capa assinada por Dan Seagrave, artista ligado a algumas das imagens mais reconhecíveis do death metal dos anos 1990.
Com dez faixas e pouco mais de 38 minutos, o disco apresentou uma banda direta, veloz e ainda fortemente apoiada no ataque do thrash, mas já inserida no vocabulário mais brutal que transformaria a Flórida em um dos centros do death metal mundial.
